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Enviado 17/04/2015 10:00 am por Pipoca Gigante no responses

Em homenagem à Maratona de Terror 80´s promovida pelo grupo Estação (como forma de celebrar seu aniversário de 30 anos), que ocorre nesta sexta-feira no Rio de Janeiro, o Pipoca Gigante resolveu entrar na brincadeira trazendo um Cinema em Casa diferente. A coluna é destinada aos filmes que chegam ao Brasil sem passar antes pelas (poucas) salas de cinema.

São obras lançadas no sistema atual de home vídeo (Netflix, Now, TVs a cabo e nas raras vídeo locadoras). Como de costume, os filmes comentados são lançados comercialmente no país. No entanto, nesta edição resolvemos brincar um pouquinho falando apenas sobre obras de terror, suspense e ficção científica. Veja abaixo e não esqueça de conferir a edição passada (no link), caso tenha perdido.

 

 

 

Tusk – A Transformação (Tusk)

Se você tem gosto pelo bizarro, pelo grotesco e certo sadismo, então este é o filme para você. Porém, esta obra possui outros atrativos. Trata-se do novo filme do cineasta Kevin Smith, que começou a carreira de forma promissora com o cultuado “O Balconista” (1994). De lá para cá, o diretor errou mais do que acertou, ao ponto dele mesmo renegar sua carreira e seu papel como autor sério. Assim como em “Seita Mortal” (Red State, 2011), Smith imerge no cinema B, transformando tudo numa grande brincadeira.

Aqui, por exemplo, ele usa uma transmissão de podcast como mote para o filme. Mais uma vez utilizando Michael Parks (seu novo ator fetiche), o diretor conta a história de Wallace Bryton (Justin Long), um egocêntrico apresentador de rádio que se depara com seu pior pesadelo quando decide entrevistar um idoso recluso (Parks). “Tusk – A Transformação” é igualmente hilário e perturbador e traz no elenco um inchado Haley “O Sexto Sentido” Joel Osment, a belíssima Genesis Rodriguez e um Johnny Depp irreconhecível, interpretando um personagem que ganhará filme solo em breve. “Tusk” fez sua estreia no Festival de Toronto, em setembro de 2014.

 

Maníaco (Maniac)

Refilmagem de um terror cult de 1980, a premissa apresenta o perturbado Frank (Elijah Wood). O sujeito, dono de uma loja de manequins, sai à caça de mulheres noite após noite. O desequilibrado protagonista até chega a se envolver romanticamente com algumas, mas devido a um trauma de infância relacionado à mãe, termina por matá-las e depois escalpelá-las para usar o couro cabeludo em suas manequins. Essas espécies de troféu são as relações mais íntimas que o doente personagem possui.

Após conhecer uma fotógrafa, papel da belíssima francesa Nora Arnezeder (“Protegendo o Inimigo”), sua vida poderá voltar ao normal. Será? O interessante é o uso da visão na primeira pessoa, nos colocando na pele do psicopata a cada crime cometido por ele. O filme original causou controvérsia pelas imagens gráficas das mortes cometidas. Esta refilmagem segue por um lado mais artístico, sem esquecer a sanguinolência. A produção e o roteiro são do francês Alexandre Aja (“Viagem Maldita”). A direção é de Franck Kahlfoun (“P2 – Sem Saída”). “Maníaco” estreou no Festival de Cannes, em maio de 2012.

 

Ninguém Sobrevive (No One Lives)

Se você achou o ator Luke Evans mau e ameaçador nos filmes “Velozes e Furiosos 6” e “Drácula: A História Nunca Contada”, espere até vê-lo nesta obra de suspense e terror. Evans interpreta um sujeito aparentemente pacato, de férias com sua bela namorada pelo interior dos EUA. Entretanto, o casal atravessa o grupo errado, formado por criminosos em fuga após um assassinato. Desesperados, os bandidos sequestram a companheira do sujeito e terminam por deixar uma fera sair de sua jaula.

Além dessa premissa, o filme do japonês Ryûhei Kitamura (“O Último Trem”, 2008) ainda reserva algumas reviravoltas curiosas, subvertendo algumas situações. No geral, a obra se transforma num sangrento exercício técnico exagerado, o que pode significar o máximo de diversão para algumas pessoas. Além de Evans, “Ninguém Sobrevive” traz as beldades Laura Ramsey (“As Ruínas”) e Adelaide Clemens (“Silent Hill: Revelação”) no elenco. O filme estreou no Festival de Toronto, em setembro de 2012.

 

Uma Noite para Esquecer (In Fear)

O chamariz desta pequena (e criativa) produção de suspense é a presença da jovem Alice Englert, filha da cineasta Jane Campion (“O Piano”, 1993). Ainda nova na carreira, Englert participou do elogiado “Ginger & Rosa” (2012), ao lado de Elle Fanning, e tentou (sem sucesso) emplacar como estrela de “Dezesseis Luas”, uma das tantas adaptações de literatura juvenil de fantasia para o cinema – esta não ressoando junto ao grande público.

A história aqui centra em um casal (Englert e Iain De Caestecker) a caminho de um festival de música nos campos da Irlanda. Este é um suspense psicológico extremamente gelado. O casal se perde e começa a ser assediado por uma figura nas sombras. Apesar de banhado em clichês dos gêneros, os fãs mais minuciosos poderão notar diferenças artísticas que elevam a qualidade desta obra, que faz uso apenas de três atores. A qualidade que o diretor Jeremy Lovering imprime é a de pesadelo e constante delírio. O filme estreou no Festival de Sundance, em janeiro de 2013.

 

A Convocação (The Calling)

Pulando do terror para o suspense, este filme é baseado no livro de Inger Ash Wolfe. A veterana Susan Sarandon protagoniza como a chefe de polícia da pequena cidade de Fort Dundas, Ontario, Canadá. A cidadezinha começa a parecer não tão pacata quando alguns de seus moradores são assassinados de formas brutais.

O cenário gelado é o palco perfeito para este intrigante suspense, que apresenta elementos religiosos no seu mistério. Donald Sutherland, Ellen Burtstyn e Topher Grace completam o elenco principal. Jason Stone, produtor da comédia “É o Fim” (2013), estreia na direção com o longa. O filme estreou diretamente na internet e depois de forma limitada em agosto de 2014 nos EUA e Canadá.

 

O Intruso (No Good Deed)

Idris Elba (indicado ao Globo de Ouro por “Mandela – O Caminho para a Liberdade”) e Taraji P. Henson (indicada ao Oscar por “O Curioso Caso de Benjamim Button”) são dois dos atores mais talentosos da atualidade. Aqui, a dupla se une para, além de protagonizar, produzir esse suspense – com grande alma de filme B. Elba protagoniza como um espancador de mulheres encarcerado. Quando sua condicional é negada, o sujeito escapa da cadeia.

Um tempo depois (após sofrer um acidente de carro), ele está na porta da mansão de Henson (deixada sozinha pelo marido, com o filho bebê, para o fim de semana), pedindo ajuda. De começo, o sujeito exibe toda a sua simpatia, mas uma vez psicopata, sempre psicopata. Agora, Henson e sua amiga, papel da loirinha Leslie Bibb, estão numa grande enrascada. A direção é de Sam Miller, que comandou dez episódios da serie de Elba, “Luther”. O filme fez sua estreia em setembro de 2014.

 

Morte no Lago (Cottage Country)

Mudando mais uma vez de gênero, agora para o “terrir”, o filme apresenta a rivalidade máxima entre dois irmãos, que escala até uma tragédia irremediável. Os irmãos Todd (Tyler Labine) e Sallinger (Dan Petronijevic) não poderiam ser mais diferentes. Enquanto o correto e trabalhador Todd quer usar a casa de campo da família como cenário perfeito para no fim de semana pedir a mão da namorada (Malin Akerman) em casamento, o farrista e inconsequente Sallinger deseja apenas se divertir com sua companheira (Lucy Punch).

O sujeito chega inclusive a convidar um grande grupo de amigos para uma festa no local, e eles chegam na pior hora possível. Essa é uma comédia de humor negro, uma comédia de erros, na qual os protagonistas afundam cada vez mais em suas próprias mentiras. O filme estreou em 2013 em diversos países, como Canadá, Alemanha e Suécia, mas ainda não chegou aos EUA.

 

O Predestinado (Predestination)

Com “O Predestinado“, aportamos no último gênero da lista, a ficção científica. Esta obra é protagonizada por Ethan Hawke, que com filmes como “Uma Noite de Crimes” (2013), “A Entidade” (2012) e “2019 – O Ano da Extinção” (2009) tem se tornado um especialista nos gêneros terror, suspense e ficção. Este é também um filme que quanto menos soubermos, antes de assistirmos, melhor. Vale dizer apenas que se trata de uma ficção passada no futuro, onde a viagem no tempo é uma realidade. Hawke interpreta um agente da lei designado a encontrar uma mulher, numa missão que mudará sua vida para sempre.

O que pode ser dito sobre “O Predestinado” é que se trata de um roteiro que beira a perfeição. Geralmente em obras complexas deste nível, sentimos que nem tudo se encaixa ao término. Não é o caso com o roteiro escrito pelos diretores da obra, os irmãos Peter e Michael Spierig (do citado “2019 – O Ano da Extinção”), baseado no conto “All You Zombies”, de Robert A. Heinlein. Aqui sentimos as engrenagens realmente funcionando de forma harmoniosa. O filme conta com a impactante performance da atriz Sarah Snook, num papel desafiador. A estreia foi no Festival South by Southwest nos EUA, em março de 2014.

 

Os Últimos Dias em Marte (The Last Days on Mars)

Trata-se de mais uma ficção científica passada no espaço, com uma tripulação em uma nave, resquício de uma das obras mais influentes do cinema, “Alien – O Oitavo Passageiro”.

O mote mais uma vez é a exploração de Marte. O início é promissor, mas, como esperado, a produção segue de perto a cartilha do gênero, com um membro da equipe contaminado por algo desconhecido vindo do inóspito planeta e, num instante, toda a tripulação corre grande risco. A obra é baseada num conto de Sydney J. Bounds e traz no elenco, impulsionando o filme, Liev Schreiber e Olivia Williams. O filme estreou no Festival de Cannes, em maio de 2013.

 

Agente do Futuro (Autómata)

Esta é uma coprodução entre EUA, Espanha, Bulgária e Canadá. Na ficção científica passada no futuro, um Antonio Banderas careca interpreta um agente responsável pelo funcionamento de robôs, que substituíram humanos em diversas áreas, como nos afazeres domésticos. A função do personagem de Banderas é se certificar de que os seres artificiais não estejam dando problema. Imagine o filme “Eu, Robô” (2004), com Will Smith, com uma produção menor, com menos efeitos, um clima mais cru e sem tanta ação.

Agente do Futuro” na verdade funciona mais como ficção noir, e por isso mesmo remete ao filme quintessencial do subgênero (e talvez único), “Blade Runner – O Caçador de Androides”. Muito da direção de arte é chupado do filme de Ridley Scott, o que não deixa de ser interessante. Outro fator curioso é a opção por criaturas animatrônicas ao invés da escolha óbvia por efeitos especiais de computador. O fato aproxima o filme das produções da década de 1980. Ex-mulher de Banderas, Melanie Griffith dá às caras como uma cientista, e Javier Bardem (acreditem) empresta sua voz para uma das criaturas artificiais. Banderas também produz, ao lado de Avi Lerner, o messias por trás da franquia “Os Mercenários”. A direção e o roteiro são do espanhol Gabe Ibáñez. “Agente do Futuro” estreou no Festival Donostia-San Sebastián, na Espanha, em setembro de 2014.

 

 
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