Cinema > Críticas > Crítica “Deixa Rolar”
Enviado 14/06/2015 12:00 pm por Pipoca Gigante no responses

“Deixa Rolar”

 

 

Título Original: “Playing It Cool”

Gênero: Comédia / Romance.

Origem: EUA.

Duração: 94 Minutos.

Ano de Lançamento: 2015.

Elenco: Chris Evans, Michelle Monaghan, Topher Grace, Anthony Mackie, Aubrey Plaza, Philip Baker Hall, Luke Wilson, Martin Starr, Ioan Gruffudd, Patrick Warburton.

Roteiro: Chris Shafer, Paul Vicknair.

Direção: Justin Reardon.

 

 

 

Por Pablo Bazarello

Mais uma comédia romântica, ou será?

A sacada por trás do roteiro de “Deixa Rolar” é que pretende desestruturar a fórmula na qual se encontram presos a maioria dos exemplares do gênero. Este é um filme que trabalha em cima da metalinguagem, que conhece outros filmes do gênero e sabe de todos os seus clichês e detalhes. No entanto, se sua pergunta é se o filme tem êxito em desmistificar totalmente esta cartilha, a resposta é: bem, não.

“Deixa Rolar” é em seu núcleo o mesmo tipo de filme que repudia levemente. Na trama, Chris Evans (“Vingadores: Era de Ultron”) vive um roteirista de Hollywood. O sujeito odeia comédias românticas, mas é exatamente o roteiro de uma que precisa criar para em seguida alcançar o tão sonhado texto de um filme de ação passado na Ásia, como afirma seu agente (papel de Anthony Mackie, criando assim um inusitado revival da dupla de “Capitão América: O Soldado Invernal”).

Michelle Monaghan e Chris Evans foram feitos um para o outro. Mas como em toda comédia romântica, as coisas não serão tão fáceis assim.

Este trecho do roteiro de “Deixa Rolar” lembra o recente argentino “O Crítico”, sucesso que trazia um avaliador vivendo um romance formulaico de cinema, mesmo repudiando tal gênero. E não é dizer que existe preconceito quanto ao gênero; o repúdio, na verdade, se estende a todos os exemplares que jogam na lama seus respectivos tipos de cinema. Existem filmes bons e ruins em qualquer segmento de cinema.

Para o protagonista de Evans, o caso é ainda pessoal. Abandonado na infância pela mãe e criado pelo avô (papel do veterano Philip Baker Hall, de “Os Pinguins do Papai”), o sujeito tem grande dificuldade para lidar com compromisso de relacionamento. Assim, sua vida se resume a encontros rápidos, sem qualquer apego. O próprio protagonista sabe ser ele mesmo um clichê, o do ganharão solteirão. Isto é, até aparecer a mulher certa.

Talvez estas caracterizações de Evans e Monaghan melhorassem as coisas em "Deixa Rolar".

A mulher ideal vem nas formas de Michelle Monaghan (da série “True Detective”). Ela chega causando impacto, cheia de graça e espevitada como uma mulher que desperta o interesse deste tipo de homem deve ser. Só tem um problema – você acertou, ela já está comprometida (com o personagem de Ioan Gruffudd, de “Terremoto”). Existem alguns traços de originalidade no roteiro de Paul Vicknair e Chris Shafer (que colaboraram também com o roteiro da estreia na direção de Evans no inédito “Before We Go”).

Os personagens principais não possuem nome. Evans é Me (ou eu) e Monaghan é Her (ou ela). A metalinguagem funciona pontuando o filme inteiro, através da narração do próprio protagonista. Os clichês são criados de forma estrutural, passando por todos os itens da cartilha. Temos o grupo de amigos, dos quais fazem parte o melhor amigo gay (Topher Grace, de “Interestelar”), a amiga que esconde uma paixão pelo protagonista (Aubrey Plaza, de “Diário de uma Virgem”), e o “doidão” (Martin Starr, de “A Salva-Vidas”), além dos estereótipos citados anteriormente.

Clichê número 12: a cena emocional na praia.

Recentemente, outro filme norte-americano brincou com a estrutura do gênero. “Encontros e Desencontros do Amor”, filme inédito nos cinemas do Brasil, com Paul Rudd e Amy Poehler, tirou sarro com as comédias-românticas de forma nonsense – falaremos sobre o filme em breve na coluna Cinema em Casa. Essa comparação é só para mencionar uma das maiores deficiências de “Deixa Rolar”: o filme não é esperto, brincalhão ou tampouco sério o suficiente no que se propõe para satirizar a estrutura na qual igualmente se vê preso.

 

 
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