Pipoca Gigante » Blog Archive » Retrospectiva “Missão: Impossível – O Dossiê das Missões”

7º Arte > Colunas > Retrospectiva “Missão: Impossível – O Dossiê das Missões”
Enviado 15/08/2015 1:44 pm por Pipoca Gigante no responses

Em homenagem ao novo episódio da franquia “Missão: Impossível”, que já recebeu o completo aval dos especialistas (com 93% de aprovação no agregador de resenhas Rotten Tomatoes) e dos fãs, o Pipoca Gigante resolveu fazer um resumo com opiniões sobre todos os filmes do espião Ethan Hunt, o segundo agente secreto mais popular do cinema. Leia abaixo e não esqueça de comentar.

Leia nossa crítica do sucesso “Missão: Impossível – Nação Secreta”

Missão: Impossível (1996)

Tom Cruise, ao lado da produtora e parceira profissional Paula Wagner, compra a ideia da série de TV dos anos 1960 (refeita nos anos 1980) sobre um grupo de espiões do governo agindo por debaixo dos panos. O único personagem restante da série, no entanto, é o chefe Jim Phelps, interpretado por Peter Graves no programa e, no cinema, por Jon Voight.

Leia a crítica da ficção “No Limite do Amanhã”, com o astro Tom Cruise

A escolha do roteiro sobre qual caminho o personagem iria seguir durante o filme sem dúvidas é interessante. Tido ainda por muitos como o melhor da franquia, esse é o mais sério, e talvez o que mais se aproximou do verdadeiro espírito da série de TV – muito mais um thriller (ou suspense) de espionagem do que um veículo de ação em si.

Brian De Palma é o diretor aqui, e de todos os cineastas que passaram pela franquia, ele é o mais autoral, veterano e consagrado. De Palma era considerado o maior discípulo de Hitchcock em seu início de carreira. Na investida em “Missão: Impossível”, o diretor consegue imprimir um estilo único ao filme, e mescla cenas de ação impressionantes (mesmo sem serem a alma do filme, como viriam a se tornar) com suspense congelante, fortes atuações e uma trama mais que intrincada.

Leia sobre “Paixão”, último filme do icônico Brian De Palma, na coluna Cinema em Casa

O grande banho de água fria que o filme de De Palma deu no público foi realmente possuir uma história que quase ninguém conseguiu acompanhar. É necessário ao menos algumas investidas no filme para conseguirmos pegar tudo que o roteiro tem a oferecer, com seus esquemas de jogos duplos.

O personagem de Tom Cruise, Ethan Hunt, de início não é o protagonista, e sim apenas mais um membro da equipe. O destino o transforma em protagonista quando todos os outros membros são assassinados e só ele sobra. Começamos a seguir seus passos, e o acompanhamos enquanto recruta uma nova equipe para tentar limpar o nome.

Por ter sido o único a sobreviver durante uma missão que sai terrivelmente errada, seus superiores logo presumem que ele era o agente duplo que estavam tentando encontrar. Se não é o melhor da série, por de certa forma afastar o público em geral, é único em sua linha narrativa e estilo, e o diferencial do resto que viria a seguir.

Leia sobre “Mena”, novo filme de Tom Cruise

Direção: Brian De Palma (especialista em obras de suspense e filmes com forte apelo emocional, vide “Dublê de Corpo”, “Vestida para Matar”, “Os Intocáveis” e “Scarface”).

Elenco: Jon Voight, Ving Rhames, Emmanuelle Béart, Henry Czerny, Jean Reno, Kristin Scott Thomas, Vanessa Redgrave, Emilio Estevez.

Dificuldade da Missão: embora seja uma superprodução com boas cenas de ação, nem mesmo pessoas inteligentes ou jornalistas consagrados conseguiram entender tudo o que se passava na tela. E a trama, mesmo boa, afasta o grande público em geral.

Melhores Momentos: os grandes momentos aqui sem dúvida são o clímax no trem bala dentro do grande túnel submarino entre Londres e Paris e a cena de ação muda dentro de um cofre que deu origem a marca registrada da série – alguém pendurado com os braços abertos sem encostar no chão. A cena da explosão do grande aquário no restaurante também é interessante visualmente. No entanto, aqui são as pequenas nuances que verdadeiramente empurram o filme.

Missão: Impossível II (2000)

Como se corrige as críticas de que o primeiro possuía um roteiro impossível de se acompanhar? Com um filme pipoca até a alma, no qual a história é o que menos importa. Quatro anos depois, e o agente Ethan Hunt reaparece num filme com o tom totalmente diferente. De obra séria e adulta com um clima específico de suspense até um pouco noir, o segundo episódio segue para um clima bem mais juvenil e cartunesco.

Leia nossa crítica de “Rock of Ages”, musical com Tom Cruise

Até mesmo o protagonista agora exibe longas madeixas criando para si um estilo mais jovial, algo inapropriado para um agente do governo. Todos os pontos negativos são contrabalanceados com a entrada do especialista do cinema de ação chinês John Woo (na época no auge, tendo feito alguns filmes americanos culminado na obra-prima “A Outra Face”).

De certa forma, podemos dizer que Woo também imprime seu próprio estilo à série, com suas típicas cenas em câmera lenta, que muito se assemelham a um balé, muita faísca em cenas de tiro e explosões e, é claro, suas pombas esvoaçantes em determinados momentos. Desta vez, o espírito de equipe da série é abandonado. Este é um show apenas de Cruise e seu Ethan Hunt, como um exército de um homem só. De todos os filmes da série, este é o que deixa menos espaço para outros participarem da ação.

Leia sobre a possível continuação de “Top Gun”, com Tom Cruise

Um agente traidor da IMF é o vilão, que deseja se apoderar de armas químicas, um super vírus, e soltá-lo no meio da cidade, a não ser que uma grande quantia seja entregue a ele.

Para isso, o protagonista precisa recrutar uma civil, sendo a primeira e única vez que isso acontece na série. A civil em questão é uma eficiente ladra (papel de Thandie Newton), que teve um relacionamento no passado com o vilão e, por isso, é necessitada para atraí-lo em uma armadilha.

Direção: John Woo (especialista no cinema de ação, é considerado o mestre da ação do cinema chinês. Migrou para Hollywood e foi escalando em bons filmes, até cair num abismo conhecido como “O Pagamento”, e nunca mais fazer um filme na América).

Elenco: Thandie Newton, Dougray Scott, Ving Rhames, Brendan Gleeson, Richard Roxburgh, Anthony Hopkins.

Dificuldade da Missão: De certa forma, esse é o filme menos adorado da série, apesar de financeiramente ser o mais rentável. Era o filme que todos queriam ver, com cenas de ação espetaculares e uma trama muito mais acessível. E talvez seu maior problema seja realmente esse. Tirando as cenas de ação recheadas de muita adrenalina, criadas pelo especialista Woo, o que tínhamos de fato aqui? Uma trama reciclada de um filme ruim de James Bond.

Melhores Momentos: John Woo cria um filme estiloso e sexy. Grande parte disso vem da química entre Cruise e Thandie Newton, que soube ser sensual na pele da ladra Nyah. A cena da escalada de Cruise nas rochas no início do filme (que a partir deste ficou conhecido por realizar suas próprias cenas de ação) é um dos momentos mais emocionantes e belos esteticamente dos últimos anos. O balé dos carros, a invasão da fábrica de produtos químicos (que duplica a posição que é a marca registrada da série, com Cruise pairando deitado no ar), e as cenas de moto ao final fazem da obra uma verdadeira extravagância visual.

Missão: Impossível III (2006)

O diretor menos conhecido (na época) entrava na série para também, de certa forma, deixar a sua marca. J.J. Abrams na época era apenas associado aos seriados “Alias” e “Lost”, mas foi justamente por sua capacidade de criar ótimos personagens e desenvolver uma história mais do que interessante ao redor deles que foi chamado para comandar a terceira aventura do agente protagonizado por Cruise.

Leia nossa crítica de “Oblivion”, ficção com Tom Cruise

Esse é o filme mais humano da série e o mais pessoal também. Vemos os bastidores da vida íntima do protagonista, quando ele decide se casar.

Afastado do campo e apenas treinando novos agentes, Hunt volta de forma inesperada quando uma pupila é capturada e depois assassinada. O espírito da série de TV original também volta e temos espaço aqui para cada um dos membros da equipe se destacar – embora continue sendo um show de Cruise.

Uma trama estimulante, ao mesmo tempo não tão complicada de acompanhar, personagens bem desenvolvidos, diálogos interessantes. Ganhamos também uma olhada nos bastidores do poder da agência, através doos personagens de Laurence Fishburne e Billy Crudup (esse é o filme que contém mais rostos conhecidos em papéis de destaque da série).

Leia nossa crítica de “Star Trek – Alémd a Escuridão”, de JJ Abrams

Falar deste filme e não falar sobre o vilão vivido por Phillip Seymor Hoffman é impossível (com o perdão do trocadilho).

O saudoso ator vive o melhor personagem do filme, e o maior vilão da série. Hoffman dá um show à parte, e consegue ser completamente intimidador e assustador com seus diálogos – o ator havia acabado de ganhar seu Oscar por “Capote”.

Obviamente, parte do crédito vai para como o personagem foi escrito e conduzido também pelo diretor Abrams.

Assista ao trailer de “Westworld”, nova série da HBO produzida por JJ Abrams

Direção: J.J. Abrams (na época um diretor não tão conhecido, em sua estreia nas telonas. Atualmente, um dos melhores cineastas em matéria de superproduções, vide os novos “Star Trek” “Super 8” e, em breve, “Star Wars: O Despertar da Força”. Abrams valoriza mais seus personagens e o desenvolvimento da trama do que os efeitos espetaculares e o visual que sempre cercam seus filmes).

Elenco: Phillip Seymor Hoffman, Laurence Fishburne, Billy Crudup, Simon Pegg, Keri Russell, Maggie Q, Jonathan Rhys Meyers, Ving Rhames, Michelle Monaghan.

Dificuldade da Missão: esse é, em minha opinião, o melhor filme da franquia, por saber equilibrar de forma satisfatória cenas de ação bem orquestradas com uma história instigante, boas reviravoltas e bons personagens. Apesar disso, esse foi considerado o maior fracasso da franquia, em grande parte devido à publicidade negativa dos surtos de Tom Cruise na época, que pulava em sofás para demonstrar seu amor pela nova mulher (Katie Holmes), entre outras coisas. A Paramount, produtora da maioria dos filmes de Cruise, rompeu relações com o ator, e somente há pouco voltaram às pazes. O resultado nas bilheterias foi bem abaixo do esperado.

Melhores Momentos: desde a cena de abertura (envolvendo a ameaça incessante do vilão vivido por Hoffman) sabíamos que estávamos entrando no que seria um bom momento no cinema. É o tipo de filme que te pega nos primeiros minutos apenas pela interação de duas pessoas, que desejamos ver mais vezes ao longo. São apenas boas atuações e dois grandes personagens – sem explosões, sem cenas de ação. É claro que também ganhamos isso aqui, como no melhor momento do filme: a cena da ponte no resgate do vilão. Temos a cena do Vaticano, na qual a famosa pose ícone da série é mais uma vez recriada, com Cruise parando a centímetros do chão; e o sequestro do vilão, um dos momentos mais divertidos do filme.

Missão: Impossível – Protocolo Fantasma (2011)

Para alguns críticos, o último filme (até então) se resume em apenas uma cena, para qual todos tiraram o chapéu. A cena esteticamente bela e de tirar o fôlego na qual o astro escala um prédio de 800 andares todo envidraçado em Dubai. A cena se interliga a outras e dura pelo menos uns 15 minutos de pura adrenalina. Tudo fotografado por Robert Elwist, que trabalhou em “Sangue Negro” (2007) e “Atração Perigosa” (2010) e possui a mão perfeita na hora de mostrar cenas visualmente atraentes – muitos dizem inclusive que esse é um de seus melhores trabalhos, recomendado para ser visto na maior tela possível.

Leia nossa crítica de “Jack Reacher: O Último Tiro”, com Tom Cruise

Mesmo sem ser o melhor filme da franquia, como alardeado pela maioria dos críticos, essa é uma eficiente obra do cinema pipoca, e o que de melhor este estilo de filme tem a oferecer. De qualquer forma, ajudou Tom Cruise a recuperar o status e o prestígio da franquia – a maioria dos críticos de cinema e especialistas simplesmente adoraram o filme.

Este é o que o segundo episódio deveria ter sido e não foi. Também considerado relativamente cartunesco, aqui o adjetivo se torna uma coisa boa ao equilibrar na mistura uma trama mais elaborada, embora não dê espaço algum para o vilão ser criado. As cenas de ação são desenvolvidas de forma espetacular, e temos espaço para viagens ao redor do mundo, que passam pela Rússia e Budapeste, até Dubai e Índia.

Leia nossa crítica de “Tomorrowland: Um Lugar Onde Nada é Impossível”, novo trabalho de Brad Bird

O diretor Brad Bird realiza aqui seu primeiro filme de carne e osso e entrega uma aventura que poderia muito bem ser animada, sem esquecer do peso humano que coloca em suas animações.

O elenco de apoio é igualmente interessante e global (a maioria de diferentes nacionalidades, o que dá ao filme um apelo mais universal). Assim como os outros filmes da franquia, tirando o segundo, este possui espaço para desenvolver seus personagens e suas subtramas.

Esse é também o que soube mesclar humor da melhor forma em sua história.

Direção: Brad Bird (especialista em filmes de animação como “Os Incríveis”, “Ratatouille” e “O Gigante de Ferro”, faz a transição mais que perfeita para filmes de carne e osso e mescla bem, assim como em seus trabalhos anteriores, ação cartunesca com grande humanidade).

Elenco: Simon Pegg, Jeremy Renner, Paula Patton, Michael Nyqvist, Anil Kapoor, Léa Seydoux, Josh Holloway, Tom Wilkinson.

Dificuldade da Missão: essa pode ser considerada a missão mais fácil para o agente Ethan Hunt, tendo a maior parte da crítica laureado ao máximo a obra do diretor Brad Bird, e a garantia de grande sucesso nas bilheterias também. Seus detratores o acusam de ser cartunesco demais e de não ter uma trama tão interessante.

A obra, no entanto, é exatamente o que você quer de um filme destes: belas paisagens, belas mulheres, belas máquinas, e muita tecnologia. Tudo o que os fãs do cinema de ação e espionagem, iniciado nos anos 1960 pelos primeiros filmes de 007 protagonizados por Sean Connery, aprenderam a gostar. É um mundo à parte, e algo totalmente diferente da seriedade que a série poderia ter tido se tivesse seguido como thriller de ação iniciado por De Palma. Mas é cinema pipoca puro, são duas horas de puro entretenimento e diversão, adrenalina, cenas bem realizadas e uma trama que ao menos não faz pouco caso de nossa inteligência e bom gosto.

Melhores Momentos: a melhor cena disparado é a muito comentada escalada do gigantesco prédio de 800 andares em Dubai. Cena de causar vertigem até mesmo no mais corajoso escalador. Temos também a cena dos carros e perseguição a pé em meio a uma tempestade de areia, a cena inicial da fuga na prisão em Budapeste, o confronto final com o vilão num estacionamento moderno na Índia, e a briga das gatas Patton e Seydoux. Um dos momentos mais interessantes, no entanto, não utiliza efeitos e ação, mas sim grande tensão, quando agentes se passam por bandidos para uma assassina, e uma agente se passa por assassina para bandidos.

 
Compartilhar
 
Notícias Relacionadas
 
 
Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*



Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Animação Batman Ben Affleck Bryan Cranston Capitão América Chris Evans Chris Hemsworth CHRISTIAN BALE Christopher Nolan Cinema Francês Cinema Nacional Coletiva de Imprensa DC Comics Demolidor disney Festival do Rio 2012 Festival do Rio 2013 Festival do Rio 2014 Festival do Rio 2015 Frank Miller Game of Thrones Henry Cavill homem aranha Homem de Ferro Hugh Jackman Hulk Jennifer Lawrence Liga da Justiça marvel mulher maravilha Netflix Os Vingadores pré-estreia Rachel McAdams Robert Downey Jr. Rodrigo Santoro Stan Lee star wars steven spielberg Superman Thor Viola Davis Wolverine X-Men Zack Snyder