Cinema em casa > Colunas > Cinema em Casa Especial – “Ex-Machina: Instinto Artificial”
Enviado 30/08/2015 5:17 pm por Pipoca Gigante no responses

“Ex-Machina: Instinto Artificial”

 

 

 

Título Original: “Ex-Machina”

Gênero: Ficção Científica / Drama / Suspense / Romance.

Origem: Brasil / Italia / França.

Duração: 108 Minutos.

Ano de Lançamento: 2015.

Elenco: Domhnall Glesson, Alicia Vikander, Oscar Isaac, Sonoya Mizuno, Corey Johnson.

Roteiro: Alex Garland.

Direção: Alex Garland.

 

 

 

 

Homem X Deus X Máquina

De tempos em tempos aparece um filme que quebra as regras, que chega com vontade suficiente para causar certo impacto, o que se traduz em elogios dos mais variados de quem curte cinema de verdade – a arte da coisa e não apenas distração. Hoje, iremos falar justamente de um desses filmes, que nos fizeram quebrar um molde aqui no Pipoca Gigante. “Ex-Machina: Instinto Artificial” é diferente a ponto de abrirmos uma exceção e realizarmos um Cinema em Casa Especial falando somente dele (quem conhece a coluna sabe que geralmente diversos filmes são comentados nela).

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Acreditamos que o filme merece um texto um pouco maior, informando seus detalhes e uma análise mais minuciosa para você. Enaltecido como um dos melhores filmes de 2015, “Ex Machina” é a nova produção do A24, estúdio número 1 de Hollywood na atualidade para o cinema independente.  Com 92% de aprovação da crítica no agregador Rotten Tomatoes, a obra vem sendo apontada como o “Sob a Pele” (Under de Skin) deste ano. As comparações são feitas pelo fato de ambos se tratarem de uma ficção científica e de possuírem uma figura feminina no centro de sua história – particularmente, “Sob a Pele” (também da A24) conseguiu entregar um cinema mais inovador e único.

Ava (Alicia Vikander) na cena chave de "Ex-Machina: Instinto Artificial"

O mote que impulsiona a obra é a pergunta “O que é ser humano?”. Steven Spielberg abordou o assunto em “AI – Inteligência Artificial”, um filme irregular, que alguns amam e outros odeiam. “Ex-Machina” não possui a grandiosa dimensão de “AI”, pelo contrário, funcionando num aspecto bem contido e intimista. Na trama, aparentemente passada num futuro próximo, Caleb (papel de Domhnall Gleeson) é um programador de uma famosa empresa virtual, no estilo da Google. O protagonista ganha um concurso e, dentre todos os outros funcionários, tem a chance de viajar até uma remota e enorme propriedade para conhecer o recluso dono da empresa, Nathan, interpretado pelo ótimo Oscar Issac (“Inside Llewyn Davis” e “O Ano Mais Violento”).

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Uma vez no local, Caleb descobre que a visita e o concurso possuem outros motivos e na realidade Nathan deseja que seu exímio funcionário avalie sua nova criação: Ava (Alicia Vikander), um ser construído em laboratório que faz uso de inteligência artificial. O que o criador deseja é que Caleb teste os limites da criatura, para realmente saber se ela é pensante e tem vontades próprias, ou se foi apenas programada para ser assim. Essa é a premissa básica, e falar mais do que isso seria estragar esta trama, que se desenvolve de forma magnífica, nos mantendo grudados na tela, sedentos pela próxima cena. Sem dúvida existe muita tensão e ares comparativos a “Frankenstein”, um expoente de história sobre criadores que brincam de Deus e suas criaturas.

O ditado "nunca conheça seu ídolo, ele vai te decepcionar" se torna mais verdade do que nunca com Caleb (Domhnall Gleeson) e Nathan (Oscar Isaac) em "Ex-Machina".

Escrito e dirigido pelo cineasta Alex Garland (autor do livro “A Praia” e roteirista de produções como “Extermínio” (2003), “Não me Abandone Jamais” (2010) e “Dredd” (2012)), fazendo sua estreia na direção, “Ex-Machina” possui camadas questionadoras e, ao mesmo tempo, entretém com seu forte teor de thriller enigmático. Este é o tipo de roteiro gelado que nos deixa tentando antever o que virá a seguir. A história de Garland também direciona o peso para seus atores e seus personagens densos e muito bem explorados. Aqui, só existem basicamente três personagens e a trama gira em volta deles. Confinados na fortaleza do magnata Nathan, os três protagonistas passarão um fim de semana juntos, sem interferência do mundo externo, num intensivo curso de autodescoberta decisivo.

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Domhnall Gleeson, de filmes como “Questão de Tempo” (2013) e “Frank” (2014), se tornou o intérprete perfeito para o homem comum, o perdedor de cada dia, com o qual todos nos identificamos. Mas as outras duas performances do trio principal são as que chamam atenção. Oscar Isaac vem escalando a cada projeto para se tornar um dos melhores atores de sua geração, se já não o é. Aqui, o guatemalteco cria mais um memorável personagem na pele de um sujeito na tênue linha da vilania, como todos os gênios. Nathan não é o típico nerd, no entanto, é Bill Gates, Steve Jobs e Mark Zuckerberg com esteroides, o sujeito que, entre um porre diário e outro, adora “puxar ferro” e mostrar seu talento para a dança na pista. Um verdadeiro cientista louco.

O verdadeiro criador com a criatura. Alex Garland explica a cena para Alicia Vikander.

Alicia Vikander, a sueca que desde “O Amante da Rainha” (filme indicado para o Oscar de produção estrangeira em 2013) vem trabalhando em um projeto atrás do outro (“Anna Karenina”, “O Quinto Poder”, “Sangue Jovem”, “O Sétimo Filho” e o recente “O Agente da UNCLE”), dá vida, literalmente, a um ser artificial. Seu trabalho é um dos mais difíceis da obra, já que precisa dar credibilidade e montar uma performance somente com expressões faciais de parte de sua cabeça – quem assistir ao filme saberá o design de Ava. Para que o filme funcionasse, Ava (Vikander) precisava ser humana. E é exatamente o que ocorre.

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Mesmo com todo esse cartaz, “Ex-Machina: Instinto Artificial” não encontrou lugar nas salas de cinema. Este não é um filme para todos os gostos, e “Sob a Pele”, por exemplo, apesar de ter entrado na maioria das listas dos avaliadores, ficou em cartaz apenas uma semana nos cinemas cariocas por falta de público. Nos EUA, ambas as obras também tiveram um lançamento bem restrito, em poucos cinemas, apesar do número de salas por lá ser absurdamente maior. A distribuidora nacional responsável acaba de lançar o filme no mercado de home vídeo no início de agosto e você pode encontrá-lo em locadoras ou no Now da Net.

 
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