Cinema > Críticas > Crítica “Beasts of No Nation”
Enviado 26/10/2015 6:27 pm por Pipoca Gigante no responses

“Beasts of No Nation”

 

 

Título Original: “Beasts of No Nation”

Gênero: Drama / Guerra.

Origem: EUA.

Duração: 137 Minutos.

Ano de Lançamento: 2015.

Elenco: Abraham Attah, Idris Elba, Ama K. Abebrese, Kobina Amissah-Sam.

Roteiro: Cary Joji Fukunaga.

Direção: Cary Joji Fukunaga.

 

 

 

Por Pablo Bazarello

 

Feras Sem Pátria

Ainda existem fatos inéditos e precursores ocorrendo atualmente no universo do audiovisual. Um dos mais chamativos atende pelo nome de Netflix, a potência do serviço streaming que tomou lugar das locadoras e segue revolucionando a forma como assistimos tais mídias. O cinema é o novo alvo da empresa. Além de exibir filmes e confeccionar suas próprias séries, a Netflix acaba de adentrar o mundo da sétima arte e lançar sua primeira produção cinematográfica no mercado.

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Beasts of No Nation” é o primeiro filme bancado (comprado depois de produzido) pela Netflix e foi exibido em alguns festivais de cinema este ano (uma das poucas oportunidades de assisti-lo no telão), como Veneza, Toronto e Londres. Também é dito que a empresa tenta empurrar seu produto para a época de premiações, que culmina na maior de todas, o Oscar. Para isso, como se sabe, o filme precisa ser exibido num determinado número mínimo de salas de cinema nos EUA, num determinado período, para se tornar elegível na Academia. E foi justamente o que ocorreu. “Beasts…” entrou em circuito nos EUA no mesmo dia em que estreou no site, no dia 16 de outubro.

"Beasts of No Nation", estrelado por Idris Elba, é a primeira produção cinematográfica original da Netflix.

No Brasil, infelizmente, a única forma de conferi-lo é de casa. Mas não faz mal, “Beasts of No Nation” é impactante não importa onde você o assista. Baseado no livro de Uzodinma Iweala, adaptado e dirigido por Cary Joji Fukunaga (responsável pela direção de toda a fantástica primeira temporada de “True Detective”), a trama centra na guerra civil de um país africano. O protagonista aqui é o menino Agu (vivido pelo ótimo Abraham Attah). Feliz ao lado da grande família, o pequeno narrador tem sua realidade posta de cabeça para baixo quando a cruel certeza da guerra chega à sua porta.

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O momento mais estarrecedor de "Beasts of No Nation".

Após ser separado da família e conseguir sobreviver por pouco, o menino embarca numa jornada definidora. A primeira parada é o recrutamento feito por rebeldes, um batalhão preparado para dar o golpe no governo e destituir a atual regência. Eles serão sua nova família ao longo de toda a projeção. O rosto do grupo vem nas formas do personagem conhecido apenas como Comandante, mais uma atuação certeira e bem defendida do talentoso Idris Elba. Pai, irmão, juiz, companheiro e carrasco, o líder dos meninos soldados é carismático e cativante como um mentor deve ser.

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O talentoso Idris Elba traz humanidade ao personagem conhecido apenas como Comandante, em "Beasts of No Nation".

Beasts of No Nation” não se afasta da violência, entregando cenas gráficas e, em determinados momentos, mais explícitas do que gostaríamos. A polêmica também é assunto aqui. A obra vai fundo em várias questões do que seria verdadeiramente tal realidade, sem amenizar qualquer uma delas – como drogas e abuso sexual. Justamente por isso, o filme se torna extremamente importante. Esta não é uma obra feel good. É um choque de realidade, que nós, como brasileiros, conhecemos bastante (Sarajevo é brincadeira, aqui é o Rio de Janeiro).

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Ao mesmo tempo, o filme não é somente um exercício em sadismo ou devastação de sentimentos. Existe beleza, poesia e certo lirismo, além de ser igualmente um filme esperançoso, que aposta na bondade do ser humano, mesmo que como sua última gota na alma.

O cineasta Cary Fukunaga dirige Idris Elba.

A escolha da empresa por seu primeiro longa-metragem não poderia ter sido mais acertada. Atual e contundente, “Beasts of No Nation” mostra que a Netflix se importa com causas sociais e problemas mundiais – seria muito mais fácil produzir algo seguro e regional. A dimensão aqui também é grande. Nada de “filme feito para a TV” pode ser encontrando nesta produção. Idris Elba é cotado (provavelmente como coadjuvante) e empurrar o filme para prêmios não será uma tarefa inútil da parte da empresa.

 

 
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