Colunas > Os 5+ > Os 5+: Séries injustiçadas
Enviado 24/04/2016 11:00 am por Pipoca Gigante no responses

Por: Tina Medeiros, F. Cruz e Karolen Passos.

Algumas séries televisivas obtêm, merecidamente, grande sucesso e acabam ganhando permanência, mesmo depois de seu fim. Entre essas, destacam-se “Arquivo X“, “Breaking Bad” – entre os dramas –, “Friends” e “Seinfeld” – entre as comédias. Provas disso são as novas temporadas de “Arquivo X“, depois de 14 anos do fim da série, e a exibição, ainda hoje, de “Friends” (que passa todo dia na Warner Channel, dois capítulos de madrugada, dois de manhã e dois de tarde, mesmo já tendo terminado há 12 anos). Além disso, é comum vermos nas ruas pessoas vestindo roupas de “Breaking Bad” (hoje mesmo vi um rapaz com uma camisa na qual se lia uma das famosas frase de Walter White: “I am the danger!”).

Leia também a análise do episódio “Felina” de “Breaking Bad”.

Há várias características que explicam todo esse sucesso: a boa qualidade dos atores, dos diretores e dos roteiristas, tramas interessantes tanto para os capítulos individualmente quanto para um arco que se desenvolve ao longo das temporadas, uma boa estratégia de marketing por parte da produção etc. [Uma vez escrevi um artigo que explicava o que tornava uma série boa. Fica a dica para um link]

No entanto, há outras séries que também têm essas qualidades, até conseguem algum sucesso enquanto são exibidas, mas depois caem no buraco negro do esquecimento. Aqui vão alguns exemplos:

 

Justified

A série conta a história de Raylan Givens (Timothy Olyphant, de “Deadwood“, “Hitman: Assassino 47” e “Duro de Matar 4.0“), um delegado que, depois de matar um marginal (em uma situação justificada, daí o nome da série), é mandado de volta para sua cidade natal, onde terá de acertar contas com o passado. No saldo devedor, entra seu pai, um bandido de longa data, sua namorada de adolescência, com quem acaba reatando seu relacionamento, e seu antigo colega Boyd Crowder, que agora tenta se tornar o novo chefão do crime na cidade.

Leia também Os 5+ Motivos para assistir “JUSTIFIED”.

De quebra, Givens é aquele cara que todo homem gostaria de ser: bonitão, seguro de si, pegador da mulherada, bom de briga e por aí vai. A primeira temporada foi aclamada pela crítica. As demais cinco temporadas, mesmo perdendo um pouco o pique, conseguiram manter a boa qualidade: os roteiros, por exemplo, são ótimos, com tramas que se desenvolvem muito bem. Os atores são muito bons, com destaque para o novo queridinho de Tarantino, Walton Goggins, que conseguiu conferir a seu bandidão Crowder uma personalidade cativante com a qual o público da série se identifica.

No entanto, por mais que tenha obtido ótimas críticas e razoável sucesso, quem quiser vê-la hoje em dia terá de comprar os DVDs, pois ela não passa mais na televisão (nem mesmo na tv por assinatura ou na Netflix, onde até chegou a estar, mas foi retirada).

The Shield

A série, estrelada por Michael Chiklis (que teve a suspeita honra de viver o querido Coisa nos lamentáveis filmes de “O Quarteto Fantástico” dos anos 2000 e atualmente pode ser visto em “Gotham“), centrava-se em Vic Mackey, um policial com um senso de justiça muito pessoal. Mackey não se importava em ser corrupto e violento, mas também agia com muita eficiência contra o crime.

Leia também as primeiras impressões da série policial “Shades of Blue”.

Assim, fugindo de um maniqueísmo óbvio e criando tramas e personalidades complexas, a série cativava com roteiros bem amarrados. Interessante é perceber que nessa série também estava Walton Goggins (o queridinho de Tarantino mencionado acima), cujo personagem, Shane Vendrell, começou a série como braço direito de Mackey, mas termina, devido a toda corrupção e violência, sendo seu antagonista. A série conta ainda com excelentes atores convidados para algumas temporadas, como Forest Whitaker (quem não está louco para vê-lo no próximo “Star Wars“?!) e a indicada ao Oscar e multipremiada Glenn Close.

Leia também as primeiras impressões da segunda temporada de “True Detective”.

Lembro-me de que matei aula na faculdade para ver o capítulo final de “The Shield”, com duas horas. Infelizmente, essa é outra série que não é reprisada nem nos canais por assinatura. Ela até passava vez ou outra no AXN, mas apenas altas horas da madrugada…

That ‘70s Show

Na verdade, foi essa série que me motivou a escrever este artigo. Nela, ao longo de oito temporadas, vemos como é a vida, em uma cidade pequena dos anos 1970, de seis adolescentes: Eric Forman (Topher Grace), Donna Pinciotti (Laura Prepon), Steve Hyde (Danny Masterson), Jakie Burkhardt (Mila Kunis), Michael Kelso (Ashton Kutcher) e Fes (Wilmer Valderrama). Ouso a dizer (não me matem!!!) que a série é tão boa e engraçada quanto “Friends“. Por exemplo, a maneira como são tratados o sexo e as drogas é genial. As rodas de conversa – sempre com uma estranha névoa preenchendo o ambiente – no porão de Eric são engraçadíssimas; o namoro entre Eric e Donna e a primeira vez em que os dois transam conseguem misturar humor e sensibilidade (com mais peso, obviamente, para o primeiro). Percebe-se um excelente trabalho de construção de personagem por parte dos redatores, que conferem a cada personagem características muito particulares e complementares entre si. Além disso, os personagens secundários são ótimos, com destaque para os pais de Eric (Kurtwood Smith, um bandidão no primeiro “Robocop“, e Debra Jo Rupp, hilária).

A série catapultou ao estrelato nomes hoje bastante conhecidos do grande público, com destaque para (o casal na vida real) Mila Kunis e Ashton Kutcher; mas não podemos deixar de falar também da lindinha Laura Prepon, que hoje estrela a aclamada “Orange is the New Black“. Dizem as más línguas que a série começou a degringolar porque Topher Grace queria alavancar sua carreira no cinema; hoje ele está relegado a papéis secundários de grandes produções (como “Interestellar“), mas, de fato, nessa época ele chegou a estrelar “Em Boa Companhia“, filme no qual atuou com nossa musa Scarlett Johansson (cujo nome vinha depois do de Grace!). Inegavelmente, depois de tantas temporadas, a fórmula da série já estava se esgotando e o fim era iminente; logo, deixar tudo na conta de Grace não é lá muito correto.

Leia também a análise da primeira temporada de ”Orange is the New Black”.

Nota triste dos bastidores da série é o que aconteceu com a atriz Lisa Robin Kelly, que interpretava a irmã de Eric: vencida pelas drogas e pelo álcool, ela acabou sendo desligada da série (foi substituída por Christina Moore durante as filmagens da sexta temporada) e veio a falecer em 2014, em um centro de reabilitação. Ver suas imagens de antes e depois das drogas é de fato muito triste.

Community

A premissa dessa sitcom era simples: Jeff Winger (Joel McHale, de “Ted” e “Homem Aranha 2″) é um talentoso advogado que tem a sua carteira revogada quando descobrem que o seu diploma é falso. Winger se matricula na Universidade Comunitária de Glendale para conseguir o seu diploma da maneira mais rápida e fácil possível. A premissa é tão boba que parece até um filme do Adam Sandler, né? No entanto, não se enganem, meus jovens, “Community” é talvez a sitcom mais inteligente da história da tv americana. E, não, isso não é hipérbole.

Leia também a análise de “Parks and Recreation”.

Após uma primeira temporada de mediana para divertida, a segunda temporada foi aclamadíssima pela crítica. Com um elenco absurdamente talentoso, do qual faziam parte Donald Glover (de “Perdido em Marte“), Alison Brie (de “Mad Men” e “Como Ser Solteira“), Danny Pudi (de “Capitão América 2: O Soldado Invernal“) e o genial Chevy Chase (que dispensa apresentações, mas, vá lá: “Férias Frustadas“), a série – que era filmada em formato de câmera única – não tinha uma estrutura fixa de narrativa e brincava com várias maneiras diferentes de contar uma história. Um episódio, por exemplo, se desenrola quase que inteiramente durante um jogo de Dungeons & Dragons, com os personagens sentados ao redor da mesa jogando. Usando de metalinguagem o tempo inteiro, e dissecando vorazmente a cultura pop Americana, “Community” criou também personagens memoráveis como Abed, interpretado por Danny Pudi. Imagina um Sheldon bem escrito e sem ser chato? Pois, bem, esse é Abed.

Leia também as primeiras impressões de “Unbreakable Kimmy Schmidt”.

Apesar de ter se tornado uma série Cult, “Community” bateu na trave para ser cancelada desde a sua primeira temporada! Na quinta temporada, a NBC realmente bateu o martelo e cancelou a série. No entanto, motivado, talvez, pelo mantra de “seis temporadas e um filme” criado por Abed, a série encontrou uma nova casa no Yahoo, que produziu a sexta temporada. Como os contratos dos atores acabaram, parece pouco provável que a sétima seja produzida… quem sabe um dia o filme pelo menos seja.

“Nikita

A série, criada por Craig Silverstein, conta a história de Nikita (Maggie Q), espiã que, após ter o noivo assassinado, decide abandonar a Division, uma agência secreta dos Estados Unidos que recruta jovens promissores a caminho da prisão perpétua ou do corredor da morte. Exasperada e inconsolável com o assassinato do amado, a moça decide se vingar, acabando com a agência e com os gestores Percy (Xander Berkeley) e Amanda (Melinda Clarke). Mas para isso ela precisa da ajuda de Alex (Lyndsy Fonseca), uma jovem russa com uma bagagem muito maior do que o esperado e que irá arriscar a vida como agente dupla. Portanto, Nikita passa a interferir nas missões da Division e não tarda a encontrar seu treinador, Michael (Shane West), com quem ela tem um passado.

Leia também as primeiras impressões de “Quantico”.

“Nikita” era – literalmente – tiro, porrada e bomba, além de ter um roteiro absurdamente bem escrito, diálogos excelentes e momentos dramáticos bem amarrados com toda a dramaturgia e ação. A direção dos episódios também não perdia em nada, e a série era bem conduzida e arquitetada. Assistir aos episódios era como ver um filme de ação de quarenta minutos toda semana. Maggie Q, que interpretava a protagonista, não poderia ter sido mais bem escolhida: assim como o ídolo da mesma, Jackie Chan, a atriz não usava dublê e conseguia dar um show quando o assunto era pancadaria. A título de curiosidade, vale lembrar que a moça é surda do ouvido esquerdo, tendo perdido a audição durante as filmagens de uma cena de ação em um filme cujo título ela nunca divulgou.

O maior problema da série foi a audiência. Infelizmente, o público norte-americano não gostou muito do que viu e os episódios, que começaram com números aceitáveis para um canal de TV a cabo como a The CW, não tardaram de despencar. Ainda sim, o seriado conseguiu durar por quatro temporadas, sendo a última com seis episódios, e finalizar a história. Contudo, é uma pena que a série não tenha sido mais valorizada, pois valia a pena.

 
Compartilhar
 
Notícias Relacionadas
 
 
Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*



Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Animação Batman Ben Affleck Bradley Cooper Capitão América Charlize Theron Chris Hemsworth CHRISTIAN BALE Christopher Nolan Cinema Francês Cinema Nacional Coletiva de Imprensa Colin Farrell DC Comics Demolidor disney Festival do Rio 2012 Festival do Rio 2013 Festival do Rio 2014 Festival do Rio 2015 Frank Miller Game of Thrones homem aranha Homem de Ferro Hulk Jennifer Lawrence Jessica Chastain Kristen Stewart Liga da Justiça marvel Michael Fassbender mulher maravilha Netflix oscar Os Vingadores pré-estreia Robert Downey Jr. Rodrigo Santoro Samuel L. Jackson star wars steven spielberg Superman Thor Tom Cruise X-Men